domingo, 28 de janeiro de 2018

Um conto de traição

Deitada acordada
ela trai
alimentada imaginação

Desfigurada rotina
sucumbe a vida
casada distorção

Desconexos vestidos
dos inversos partidos
do coração

Distraída caminha
por dias reprimidos,
em sonho: libertação

Dois amantes que nascem
face a face
no poema em construção

Traição em linhas
pela escrita que grita
pedindo paixão

Dos interesses esvaídos
das almas desfalecidas
sobra isenção

No tempo
grandes asas, voam
sem direção

Sozinha, ela aguarda
o tempo pousar
na estação

No silêncio dos covardes
soa o canto do bem te vi                         [que não viu]
descompensada canção

E é no som dos pássaros
que ela escuta o chamado
pela imensidão

Já deitada
estarrecido castelo
embriagante aflição

Adormecida pelo dor
espera da vida
um beijo de emoção

E o felizes para sempre
por ela esperado, existe
só na ficção.





quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Coisas do Rio

Sim! Sou poeta!

Porque enxergo no rio
mais vida do que água

Porque minhas lágrimas
fazem uma enchente de versos

Porque os gostos inversos
escondo nas palavras

Porque cada gesto
navega em águas claras

Porque barco de papel
no pensamento é navio

Porque escrever
me leva em ventania

Porque o sentimento
naufragado, abriga a poesia

Porque a chuva
encharca a alma desfalecida

Há dias de fazer poemas
noutros,
os poemas fazem meus dias

No balanço das ondas
que levam e devolvem
as coisas do ser
eu sou a menina
em contida espera
pelo ancorar
na ilha de Barbas.

(Géssica Pereira Monteiro Rangel)


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Tórridas palavras
Tornadas pó
nó do sentimento

Embaraços traçados
nos sonhos
por outro alguém

Resultado de tudo
são braços
engessados para abraços.

Sobre ela

Carregava escondida
nos olhos
suas lágrimas contidas

Sorrisos esvaídos
no rosto,
seus pesares ruídos

Poetisa aprendiz
nos diz
sem saber dizer

Grave imensidão
nas mãos.
No peito
solidão

Querendo ele
em silêncio
Nele buscou alimento

À ela:
Toda o ritmo
Toda melodia
Sobra no poema.

Escrito por Géssica P. Monteiro Rangel às 3:30 17/01/2018
















sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Menino Menino

Olha! O carro!
Bibi, fom-fom
Ele vai e vem
pra todo lado

Trânsito engarrafado
cidade desorganizada
nos olhos do menino
tudo vira graça

Uau! Carro novo,
sem arranhão.
Fica estacionado em sua mão.

Ele abre a porta
fecha a porta
Tudo o distrai.
Pra cá ele corre,
Pra lá ele vai.

Eba! Ele acelera
Faz caras e bocas
a alegria impera
Tudo pro menino é festa

Ele pula
Ele escala
Ele da cambalhota
E deixa todo mundo,
de boca torta

Tamanha saúde
Intensa energia
Para seus pais
É a felicidade
transbordada nos dias

Menino, menino!
Não seja apressadinho
O sinal está vermelho
Pare! Pode crescer aos pouquinhos.

A mãe: histeria
O pai: calmaria
Se os pais fossem eternos?
Que bom seria!

Nossa! Olha carro...
Nossa! Quanto tempo...
Nossa, é a vida!
Em veloz movimento.

- Ah! Mamãe! Ah! Papai!
-Me solta, o sinal ficou verde!
É preciso seguir...



Por Géssica P. Monteiro Rangel 12/01/2018 às 13:16
atualizado: 01/08/2018

Dedico esse poema todo ao meu filho Bernardo. Minha inspiração de vida.



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Ela

Quando ela entendeu
Ela simplesmente seguiu
Engoliu a salada
e calada, partiu
A cada dia
Ela reina
A cada hora
Ela escapa
A cada minuto
Ela entende o tempo
de colher
de recolher
Ontem verde
Hoje madura
Amanhã, podre
Ninguém quer ser adubo
de terra que não produz fruto
Esperta,
Contou os segundos pro adeus
não olhou para trás
catou o que era seu
e partiu
Foi procurar terra boa.


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Narciso

Ajardinar versos
composto orgânico
enche de vida
o que é estéril
As lágrimas regam
a rima incontida
da palavra escondida
no cerne do ser
O significante
dispensa significado
circunda o imaginário
pondo fim, no arbitrário
Ela quis profundidade
E por quereres,
quis Narciso
nascido do bulbo
de uma conversa
de floração espessa
versado de métrica
profundo
perfumado
Porém só cabe
no vaso de um poema
E o jardim é imenso
que pena.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Rabiscos

Eis o barulho
Do pleno orgulho
Do silêncio
Dos imaturos

Sacolas cheias
De calor
De pesares
Das esteias
que nela está

É na palavra morta
Da vida torta
Do não cessar
Que ela encontra
o consolo
no solo de plantar

Fundida imaginação
Sob escaldante desejo
Ela se molda em rimas
Explode em sonhos
Morre no beijo

A cada dia
Vontade em poesia
pelo que não viveu
pelo que morreu
antes de nascer.