sábado, 11 de novembro de 2017

Projeto dela

Cansada de voar,
ela buscou chão
Foi preciso jogar pelo ar
todo  peso morto,
para outrora ela pousar.

Sua mente tinha fome,
e deram a ela teoria crua
E onde existia apetite, logo fastio.
E mesmo em recusa, ela comeu.

Por entre letras e modelos prontos
existiam nela alguns  pontos
sinais desenhados, interrogação
Perguntando-se por quais motivos
Sua unicidade e criticidade
não eram para ser qualidades?

O querer fazer novo de outrem,
para ela soava incoerente
E é no desejo  por citações presentes
Que ela se perde no tempo, repentinamente
Por que um autor de 1898 é sabedoria onipotente?

Cansada de tamanha incoerência,
Ela esmaeceu
Concluiu que não gosta de seguir a risca a cartilha de ninguém.
Recolheu suas migalhas,
colocou-as em reserva.

E no silencio da madrugada,
de mansa se fez fera.
Porque seus planos explodem
Todo o ócio que já  não lhe convém.

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