Eram muitas as correntes
pés, mãos e mentes
aprisionados pertences
de ninguém
Eram muitas as correntes
feriam os pulsos
feriam tornozelos
feriam-na mentalmente
Eram muitas as correntes
pesadas para andar
grossas para romper
curtas para viver
Eram muitas as correntes
vontades e saudades
cada vez mais distantes
por mais que se tente
Eram muitas as correntes
longas, embolavam-se
e no embaraço
a dor era ainda pior
Eram muitas as correntes
sol e chuva
larga-las no tempo
e quem sabe, fraca, se rompam?
Eram muitas as correntes
que prendem,
mas não matam.
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