terça-feira, 16 de outubro de 2018

O caminho

Diante de tanto limo
o cuidadoso menino
escorregou e seguiu

Seu tropeço repentino
lhe mudou todo o sentido
e atrasou o seu destino

Mas o menino persistente
destemido e valente
não arregou, por nada

Buracos, pedras, espinhos
foram alguns dos desafios
que marcaram a caminhada

Para os buracos, desvio
Para as pedras, aprecio
Pros espinhos, defesa

Muitas surpresas reservadas
algumas doces, outras amargas
encobriam a estrada

Ainda que muito cansado
Seu destino, ele estimava
e mesmo exausto, seguiu

De fato, ele sentia
que escrevia com maestria
sua história de vida

O menino ontem perdido,
Achou-se, mais tarde:
em um homem endurecido

E o destino que esperava 
sempre se dissipava
na neblina, se acobertava

Então, ele descobriu que a vida
era chegada e partida
e o destino: o caminho

Escrito por Géssica P.M. Rangel

domingo, 14 de outubro de 2018

Maresia

Desprendida gotícula
amigou-se com o ar
deixou-se guiar 
Seguiu, incompreendida

Dos rebentos do mar
Libertou-se!
Das marés vazias
Libertou-se!

 Mas, uma tempestade descomunal
 engoliu a gotícula
Logo, gota se fez sal
E prostrou-se corrosiva

Dessecou folhas e caules 
e suas utópicas certezas
Logo, ferrugem se fez álibi
E tornou-se principal destreza

Feito beijo salgado
molhado, embaçou defesas
Feito beijo salgado 
salificado, ruminou barreiras

Logo, roído o elemento
nem o tempo,
nem todo movimento
O fará novo em contento



Escrito por Géssica P. Monteiro


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Eis aqui

De toda a larva
que nasce 
e jaz indesejada
do rejeito
eis o menino
perdido fruto do nada
de corpo franzino
olhos gritando afago
boca versando baixinho
letras desintegradas 
De toda a palavra
que nasce
e jaz indesejada
do rejeito
eis o menino
destorcendo o fio da miada:
pois o nojo que era da larva
torna-se nojo pela palavra
 retirado o regalo do bambino
pela música outrora cantada
no silêncio do canto contido
nem um pio, nem uma risada
eis o menino
seus pés, pincéis vivos
molhados na poeira da vida
fazem do chão frio
fonte e obra prima
eis o menino
 descobre a rima, no instinto
mas não cobre suas verdades
és o sujeito da ação
faz e imprimi singularidades
De toda a linguagem 
que nasce
e jaz desejada
do jeito que se conquista o menino
eis o caminho
 eis a palavra.



Escrito por: Géssica P. M. Rangel





sábado, 6 de outubro de 2018

Controle da respiração

No controle da situação
inspirei 
expirei 
Mas, perdi o fôlego

Nos movimentos d'alma
Ora, prendi o ar
Ora, deixei escapar
Mas, perdi o ritmo

No sentimento oxigenado
Em ansiedade
Inalei você
Mas, perdi o equilíbrio

Nas dores do peito
Talvez, saudade
Exalei você
Mas, perdi a vontade

Na vida asmática
Por vias inflamadas
não escapa ar
não escapa nada

Mas de fato:
A respiração ainda é minha.