quinta-feira, 12 de julho de 2018

Liberdade

Do gole que eu não bebi
Nem o gosto
o cheiro
o frio
o quente
o gelo
o leve
o denso
o suave
o forte
o amargo
o doce
Podem defini-lo

Do gole que eu não bebi
não há partículas do alimento
mas sinto o sustento dele em mim.

O gole que não bebi,
ninguém bebeu.
Por isso não hão de definir.
Ele fica no fundo do copo,
é o resto de cada um.
A ele, nenhuma importância.
A ele, as alcovas humanas.
A ele, resistência.
A ele, ignorância.
A ele minha sede,
encharcada de inquietação.

O gole que eu não bebi,
eu não beberei,
tu não beberás,
nós não beberemos, se ele secar.

(Escrito por Géssica Pereira Monteiro Rangel)






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