quinta-feira, 7 de junho de 2018

Menina

Adormecida nos braços do medo, da dúvida e culpa, a menina encolheu-se  por muitos anos. Cotidianamente achando que devia muito a todos, ela sempre arrumava forças para  puxar a corda da dor para si. E assim, os dias passavam aflitos, com suas mãos cada vez mais calejadas de tanto sofrer. Por fora brilhosa feito verniz, ilustre, por dentro ruída. Assim era a madeira, tão semelhante a menina.
Seguia seu percurso na trilha. Mas, acidentalmente, mudou-se a direção. A estabilidade que cobria o seu caminho se esvaiu. E ainda assim, ela seguiu.
Pois, escolheu caminhar vagarosamente, mas independente. A aquosa menina,  não mais tangível,  prepara-se sorrateiramente para escorrer por entre os crivos da  imensa peneira fina, para, enfim: felicidade.

(Géssica Pereira Monteiro Rangel)