sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Lá...

E lá estava ela
de sorriso largo
de olhos apertados
Suas mãos ávidas
a espera do anoitecer

Por entre bichos
árvores e ninhos
Unicórnios a levaram
Sonhos mágicos
Esguichos da imaginação

Sem delongas
floresta adentro
longas cavalgadas
Até finalmente,
a Ilha de Barbas
Terra de ninguém
idealizada por ela

Lá ela reina
Ele também
Corpos ausentes
em palavras conectadas
por forças ocultas
poderosamente
regidos pela mente

A beleza da ilha
está no movimento
do corpo
das mãos
das rimas
da dança versada
da palavra ventada
do tudo vestido de nada

Lá não há tempo
e o relógio inerte
nem tico nem teco
O sono torna-se ampulheta

Lá atemporal são os versos
gostosos de ler
são saborosas escritas
que alimentam a alma
e engordam o coração

Lá...
Duas faces não se tocam
Por entre os dedos
películas de vidro
emoção traduzida em energia
fazem a ligação

Repentinamente
um bocejo a eclipsar o gracejo
Hora de partir
Piscadas assoviaram
E o licórnio que a trouxe
a levará
Rapidamente,
A ilha sumiu
e na cama jaz, adormecida




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Ilha de barbas

Curtindo o amargor
Calada
Companhia quente
Café forte
Costurando palavras

Foi no descoser dos planos
Abrindo botão por botão
Se vendo nua
Seios fartos
Descompensado coração

Pensamento fértil
Viajou de avião
Logo Check-in na Ilha de barbas
Lotada de versos, poucas palavras
Certas vezes enchente
outras sequidão

Por entre ondas,
areia e um sol escaldante
Ela mergulhou no infinito
por instantes, imensidão
Descobrindo que aquela ilha
de barba, pele e ossos
Não era só solidão.