domingo, 17 de julho de 2011

Onde estou?

Que casa é essa?
A vassoura não precisa de guia
As panelas se areiam sozinhas
Os palavrões ecoam pelas paredes
Os bichos de pé passeiam livremente
O pano de pó nem poeira sente
A ignorância têm vida própria
A modéstia lá, não habita
Tudo que se diz de lá é melhor
A comida dizem ser obra prima
A poeira perde sua vez
para as pulgas,
que por sua vez picam sem culpa
Os comentários diários doem os ouvidos
O sexo é assunto promovido
Em seguida vem a auto exaltação da moral
Comer pouco é estar desnutrida
Ser dona do lar é nascer para a vida
A impecável amélia têm pulgas nas pernas
E nem liga!
Mas para que se preocupar?
Se já limpou todo o lar!
A visita pode chegar de surpresa
Que quanto a limpeza não há de falar
Ao menos que se encomode com as pulgas
Depois de tudo limpo é só
deitar e descansar
para mais tarde as panelas brilhar.
Quanto a mim? Pobre menina
que o casamento será uma ruína
é o que no fundo acredita.
Seu exagero de sabedoria doméstica
Não lhe trouxe felicidade
O seu complexo de inferioridade
utiliza a luz do ouro para encobrir a verdade
A verdade da repugnância de um ser egoísta
Que só almeja ver desgraças a vista.
As pulgas, de parasitas passam ser
as minhas melhores companhias
sugam o meu sangue,
mas deixam minha paz.

(Géssica P.Monteiro)