sábado, 21 de maio de 2011

O que ficou nas entrelinhas

Se o que lhe ofereço 
julgas pouco
Não se faça acanhada
diga-me tudo
curta e clara.
Não sou menina burra
ou mulher equivocada
A respeito de,
já tenho a minha opinião formada
As defendo a todo custo
sendo grosseira
e até debochada
porque preciso entender
Apenas me diga
 se o que sou
 te basta
Já cansei dessa ficção
de felicidade exagerada
Desde pequena
já não me alimento
de contos de fada
Minha realidade 
é o agora.
Agora, 
me fale.



(Géssica P. Monteiro)

sábado, 14 de maio de 2011

O pesar pesado

A saudade pode ser de tantos modos,
mas de todos ela é doída.
Quando se pode matá-la
as vezes até é bem vinda.
Mas quando para matá-la
você precisa morrer junto dela,
é de uma tristeza infinita.
A dor revive as boas lembranças,
as lembranças fazem reviver a dor.
E você precisa se acostumar
com o sofrimento
do pesar que pesa.
Pesa o coração.

(Géssica P. Monteiro)

domingo, 1 de maio de 2011

Nossos "precisos" dispensáveis(Poesia baseada no meu texto)

Nós precisamos de muito
Quanto que o pouco já basta.
Nos cobramos demais
Somos parcialmente realizadas

Entramos na guerra da modernidade
Sem saber direito a batalha
Agora temos maiores responsabilidades
E somos pouco recompensadas

Não questiono salário
Nem tão pouco o regresso
Quero mais progresso
Com menos retrocesso

Há muitas que passam sufoco
Por tão pouco
Acordam, cozinham, trabalham no lar
Voltam pra casa e ainda têm que trabalhar

A vitória e inclusão
 Seletivas são
O suor e exaustão
Coletivos? Não!

Buscamos igualdade!
Trabalhamos para sobreviver
Rachamos gastos!
Para não nos contradizer

O mundo evoluiu
Dizem que até conseguimos espaço
O que ninguém viu
Foi o aumento dos nossos encargos

Precisamos sempre ser boas
Boas mães, boas esposas, boas...
Precisamos descansar delas:
Menos boas sermos
Mais felicidade termos

Para pensarmos certo
Não devemos pensar pequeno
Mas não precisamos deixar pequeno
Os nossos simples momentos

Grandes mulheres, até podemos ser
Mas não deixamos de mulheres ser

De muito dizem que precisamos para viver
Mas, às vezes, entretanto,
o pouco também pode se tornar tanto
basta sabermos ver.

(Géssica P. Monteiro)