domingo, 17 de julho de 2011

Onde estou?

Que casa é essa?
A vassoura não precisa de guia
As panelas se areiam sozinhas
Os palavrões ecoam pelas paredes
Os bichos de pé passeiam livremente
O pano de pó nem poeira sente
A ignorância têm vida própria
A modéstia lá, não habita
Tudo que se diz de lá é melhor
A comida dizem ser obra prima
A poeira perde sua vez
para as pulgas,
que por sua vez picam sem culpa
Os comentários diários doem os ouvidos
O sexo é assunto promovido
Em seguida vem a auto exaltação da moral
Comer pouco é estar desnutrida
Ser dona do lar é nascer para a vida
A impecável amélia têm pulgas nas pernas
E nem liga!
Mas para que se preocupar?
Se já limpou todo o lar!
A visita pode chegar de surpresa
Que quanto a limpeza não há de falar
Ao menos que se encomode com as pulgas
Depois de tudo limpo é só
deitar e descansar
para mais tarde as panelas brilhar.
Quanto a mim? Pobre menina
que o casamento será uma ruína
é o que no fundo acredita.
Seu exagero de sabedoria doméstica
Não lhe trouxe felicidade
O seu complexo de inferioridade
utiliza a luz do ouro para encobrir a verdade
A verdade da repugnância de um ser egoísta
Que só almeja ver desgraças a vista.
As pulgas, de parasitas passam ser
as minhas melhores companhias
sugam o meu sangue,
mas deixam minha paz.

(Géssica P.Monteiro)

sábado, 21 de maio de 2011

O que ficou nas entrelinhas

Se o que lhe ofereço 
julgas pouco
Não se faça acanhada
diga-me tudo
curta e clara.
Não sou menina burra
ou mulher equivocada
A respeito de,
já tenho a minha opinião formada
As defendo a todo custo
sendo grosseira
e até debochada
porque preciso entender
Apenas me diga
 se o que sou
 te basta
Já cansei dessa ficção
de felicidade exagerada
Desde pequena
já não me alimento
de contos de fada
Minha realidade 
é o agora.
Agora, 
me fale.



(Géssica P. Monteiro)

sábado, 14 de maio de 2011

O pesar pesado

A saudade pode ser de tantos modos,
mas de todos ela é doída.
Quando se pode matá-la
as vezes até é bem vinda.
Mas quando para matá-la
você precisa morrer junto dela,
é de uma tristeza infinita.
A dor revive as boas lembranças,
as lembranças fazem reviver a dor.
E você precisa se acostumar
com o sofrimento
do pesar que pesa.
Pesa o coração.

(Géssica P. Monteiro)

domingo, 1 de maio de 2011

Nossos "precisos" dispensáveis(Poesia baseada no meu texto)

Nós precisamos de muito
Quanto que o pouco já basta.
Nos cobramos demais
Somos parcialmente realizadas

Entramos na guerra da modernidade
Sem saber direito a batalha
Agora temos maiores responsabilidades
E somos pouco recompensadas

Não questiono salário
Nem tão pouco o regresso
Quero mais progresso
Com menos retrocesso

Há muitas que passam sufoco
Por tão pouco
Acordam, cozinham, trabalham no lar
Voltam pra casa e ainda têm que trabalhar

A vitória e inclusão
 Seletivas são
O suor e exaustão
Coletivos? Não!

Buscamos igualdade!
Trabalhamos para sobreviver
Rachamos gastos!
Para não nos contradizer

O mundo evoluiu
Dizem que até conseguimos espaço
O que ninguém viu
Foi o aumento dos nossos encargos

Precisamos sempre ser boas
Boas mães, boas esposas, boas...
Precisamos descansar delas:
Menos boas sermos
Mais felicidade termos

Para pensarmos certo
Não devemos pensar pequeno
Mas não precisamos deixar pequeno
Os nossos simples momentos

Grandes mulheres, até podemos ser
Mas não deixamos de mulheres ser

De muito dizem que precisamos para viver
Mas, às vezes, entretanto,
o pouco também pode se tornar tanto
basta sabermos ver.

(Géssica P. Monteiro)

sábado, 9 de abril de 2011

O tão. . .modesto.

Esta flor, tão pequena e talvez para alguns, imperceptível.
Quando olhada de perto, observada detalhadamente,
é pequena, mas bela.
Tão simples e tão reluzente para
 aqueles que têm olhar perspicaz.
Tão modestamente extraordinário
é a beleza do existir.

(Géssica P. Monteiro)

O valor, têm validade

Valorize em quanto há tempo,
Pois depois:

A paixão pode extinguir
O amor,transformar
A saudade,sumir
O sorriso,esgotar

A compreensão pode demolir
O perdão,repensar
A admiração, concluir
O defeito, ressaltar

O contentamento pode sucumbir
A paciência, cansar
O companheirismo, desistir
A atenção, desfocar

O incondicional pode restringir
A amizade, salientar
O sofrimento, persistir
A reciprocidade, fragmentar

O que existia pode deixar de existir
Porque tudo na vida tende acabar
O pior é perseverar
No que insiste em  machucar
Se valorize primeiramente, segundo deixe-se valorizar
Caso não te valorizem,
Mais tempo não há.

Diga:
Chega!A vida têm que continuar.

(Géssica P. Monteiro)